Juízo Investigativo
A doutrina do juízo investigativo
Uma das chamadas doutrinas fundamentais dos adventistas do sétimo dia
é a doutrina conhecida como Juízo Investigativo. Para mostrar a
importância dessa doutrina um certo escritor adventista assim declara:
“Se a doutrina de 1844 não era bíblica, Ellen White pertencia à mesma
classe de Marv Baker Eddv e Joseph Smith.” ... “Se o juízo de 1844 não
era bíblico, a igreja tampouco o era. ‘... “A lógica me dizia que se a
data de 1844 não fosse bíblica, o adventismo não seria nada mais do
que uma seita.”(1844 — Uma Explicação Simples das Principais Profecias
de Daniel, p. 9,10,2’ edição - 1999 - CASA). Uma pergunta muito
intrigante para os adventistas que sustentam essa esdrúxula doutrina:
por que será que nenhum adventista aborda a questão do Juízo
Investigativo quando tenta ganhar um adepto para o adventismo? Nunca
encontrei um adventista que quisesse dialogar sobre o assunto. Com
muita freqüência e até insistência abordam a questão da guarda do
sábado e se comprazem em polemizar sobre o assunto. Mas, com relação
ao juízo investigativo, nunca encontrei um que quisesse discutir sobre
esse tema. Se essa doutrina é tão fundamental a ponto de se considerar
que a sobrevivência do adventista depende dela, por que tanta falta de
conhecimento por parte dos adventistas que não querem perder tempo com
seus opositores sobre o assunto?
EGW recomenda que se conheça bem a doutrina do Juízo Investigativo,
afirmando:
“O assunto do santuário e do juízo de investigação, deve ser
claramente compreendido pelo povo de Deus. Todos necessitam para si
mesmos de conhecimento sobre a posição e a obra de seu grande Sumo
Sacerdote. Aliás, ser-lhes-á impossível exercerem a fé que é essencial
neste tempo, ou ocupar a posição que Deus lhes deseja confiar”.
“É de máxima importância que todos investiguem acuradamente estes
assuntos, e possam dar resposta a qualquer que lhes peça a razão da
esperança que neles há”. (O CONFLITO DOS SÉCULOS, 491/ 92- 240 edição,
1980).
Para justificar esse ensino estranho às Escrituras, porque a Bíblia
fala do Juízo Executivo ou também conhecido como Juízo Final (Mt
25.31,32; Apocalipse 20.11-15), os adventistas do sétimo dia (ASD)
tentam justificá-lo com Apocalipse 14.6,7, “Temei a Deus e dai-lhe
glória: porque vinda é a hora do Seu juízo.” (O Conflito dos Séculos,
p. 435, 24’ edição, 1980)
É conhecida essa declaração como a mensagem do primeiro anjo.
A NATUREZA DO JUÍZO DE AP. 14:7
Qual a natureza do julgamento indicado em Apocalipse 14.7? Não é
certamente nada relacionado com esse ensino espúrio de Juízo
Investigativo. Trata-se de juízo de castigo imposto por Deus. Os
santos foram perseguidos dos modos mais cruéis e bárbaros (Ap 7.9-15).
Quando eles clamaram ao Senhor por justiça e julgamento, foi-lhes dito
que deveriam descansar ainda por um pouco de tempo (Apocalipse
6.9-11). Mas, terminado o tempo permitido aos grandes perseguidores,
uma grande mudança veio. A hora do juízo de Deus esperada, chegou. O
juízo retribuidor de Deus tinha já começado a cair. O anúncio da hora
do juízo de Deus em Apocalipse 14.7 é seguido por uma longa série de
juízos, atingindo o seu clímax na parte final do capítulo vinte (Ap
17.1; 18.8,10,20:19.2. 11-20).
Ora, o texto de Ap 14.6,7 fala do juízo de Deus sobre a impiedade e
não de Juízo Investigativo. Esse ensino do Juízo Investigativo é
apenas um paliativo arrumado para justificar a falsa profecia sobre a
vinda de Jesus, que não ocorreu como esperada. Jesus preveniu sobre o
surgimento de falsos profetas (Mt 24.5,11,23-25) e a profecia de
William Miller sobre a vinda de Jesus em 22 de outubro de 1844 tem
essa característica de falsa profecia (Dt 18.20-22). Não gostaríamos
de pensar que os amigos adventistas aguardam o juízo de Deus por causa
de suas crenças apóstatas (1 Tm 4.1).
Como sabemos, esse ensino foi decorrente do fracasso profético de
William Miller (ou Guilherme) Miller que marcou duas datas para a
vinda de Jesus e elas não se cumpriram: a primeira para 21 de março de
1843 e a segunda para 22 de outubro de 1844.
Como resultado de seus estudos proféticos no livro de Daniel,
notadamente 8.14, chegou ele à seguinte conclusão:
a) que Cristo voltaria de maneira pessoal e visível, nas nuvens dos
céus, cerca do ano de 1843;
b) que os justos mortos ressuscitariam incorruptíveis e os justos
vivos seriam transformados para a imortalidade, sendo ambos levados
juntos para reinarem com Cristo na nova terra;
c) que os santos seriam apresentados a Deus;
d) que a terra seria destruída pelo fogo;
e) que os ímpios seriam destruídos e seus espíritos conservados em
prisão até sua ressurreição e condenação;
f) que o início do milênio ensinado na Bíblia eram os mil anos que se
seguiam à ressurreição.”(Fundadores da Mensagem, p. 19)
Um dos membros seguidores de Miller, conhecido como Hiram Edson, não
conformado com o fracasso profético conhecido entre os adventistas
como o GRANDE DESAPONTAMENTO teve uma visão no dia seguinte a esse
fracasso profético.
“Detive-me em meio ao campo. O céu parecia abrir-se-me a vista e vi
distinta e claramente que em lugar de nosso Sumo Sacerdote sair do
Lugar Santíssimo do santuário celestial para vir à Terra... Ele pela
primeira vez nesse dia entrava no segundo compartimento desse
santuário; e que tinha uma obra para realizar no Santíssimo antes de
vir à Terra.” (História do Adventismo, de C. Mervyn Maxwel, p. 50)
Jesus, ao invés de vir à terra no final dos 2300 dias de Dn 8.14,
interpretado como sendo
2.300 anos proféticos a começar de 457 A C., entrou ele em 22 de
outubro de 1844 no lugar santíssimo do santuário celestial para levar
a efeito a obra final da redenção. Esse ensino é também conhecido como
a redenção incompleta.
E. G. WHITE
Embora, como dissemos, a doutrina sobre o Juízo Investigativo tenha se
iniciado com Hirom Edson, o homem da visão sobre a entrada de Jesus no
santo dos santos em 22 de outubro de 1844, Ellen Gould White endossou
esse ensino no seu livro O CONFLITO DOS SÉCULOS. Há um capítulo
inteiro (de n. 28) desse livro que trata exaustivamente do assunto,
intitulado “O GRANDE JUÍZO DE INVESTIGAÇÃO (idem, p. 483).
Assim, os ASD tiveram uma profetiza no seu meio que validou o ensino
do Juízo Investigativo. como também o ensino sobre O SANTUÁRIO
CELESTIAL. EGW atuou entre eles de dezembro de 1844, quando recebeu
sua primeira visão, até sua morte em 1915. Ellen, então uma jovem de
17 anos, estava entre aqueles que participaram do movimento que
esperou o retorno de Jesus em 22 de outubro de 1844. Quase dois meses
depois, ela teve sua primeira visão. Durante sua vida, ela teve mais
de duas mil visões.
Os adventistas seguiram sem reservas as orientações dessa jovem.
Vejamos como ela justifica o fracasso profético de Míller:
“Tanto a profecia de Daniel, capitulo 8, verso 14 — ‘Até duas mil e
trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado ‘- como a
mensagem do primeiro anjo — ‘Temei a Deus e dai-lhe glória; porque é
hora de Seu juízo ‘- indicavam o ministério de Cristo no lugar
santíssimo, o juízo investigativo, e não a vinda de Cristo para
resgatar o Seu povo e destruir os ímpios. O engano fora, não na
contagem dos períodos proféticos, mas no acontecimento a ocorrer no
fim dos 2.300 dias. Por este erro, os crentes sofreram
desapontamento...’ (O Grande Conflito, p. 423/4, 24 edição, 1980)
“Cristo aparecera, não à Terra, como esperavam, mas, conforme fora
prefigurado tipicamente, ao lugar santíssimo do templo de Deus, no
Céu.”(idem, p. 424)
“O ministério do sacerdote, durante o ano todo, no primeiro
compartimento do santuário, ‘para dentro do céu’ que formava a porta e
separava o lugar santo do pátio externo, representa o ministério em
que entrou Cristo ao ascender ao Céu. Era a obra do sacerdote no
ministério diário...” (Ibidem, 420)
LUGAR ONDE JESUS ENTROU NA SUA ASCENSÃO
Se há um ensino sobre o qual a Bíblia é clara é o de que, por ocasião
da sua ascensão, Jesus entrou diretamente na presença de Deus no santo
dos santos.
“Mas ele, estando cheio do Espírito Santo, fixando os olhos no céu,
viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus. “(At
7.55)
“Quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem
ressuscitou dentre os mortos, o qual
está à direita de Deus, e também intercede por nós. “(Rm 8.34)
“Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dos mortos, e pondo-o à sua
direita nos céus. “(Ef 1.20)
“Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são
de cima, onde Cristo está assentado à dextra de Deus.”(Cl 3.1)
Contraditoriamente, EGW declara:
“Como sacerdote, Cristo está agora assentado com o Pai em Seu trono
(Apocalipse 3.2].)
Ora, como Jesus poderia estar assentado com o Pai em Seu trono e ao
mesmo tempo exercer a função de um sacerdote (e não de sumo sacerdote)
se o sacerdote se apresentava diariamente no lugar santo e só o sumo
sacerdote comparecia ao santo dos santos uma vez no ano? Como sabemos
o santo dos santos era o Shekinah que representava o trono de Deus.
Esclarece ela sobre o santuário:
“Além do pátio exterior, onde estava o altar das ofertas queimadas,
consistia o tabernáculo, propriamente dito, em dois compartimentos,
chamados o lugar santo e o lugar santíssimo, separados por uma rica e
bela cortina, ou véu; um véu idêntico cerrava a entrada ao primeiro
compartimento.”(ibidem, p.412)
Diz mais ela:
“O serviço do santuário terrestre dividia-se em duas partes: os
sacerdotes ministravam diariamente no lugar santo, ao passo que uma
vez ao ano o sumo sacerdote efetuava uma obra especial de expiação no
lugar santíssimo, para a purificação do santuário.”(ibidem, p.417)
Do exposto, verificamos que EGW não ignorava as funções específicas
tanto do sacerdote como do sumo sacerdote. Sabia também ela, pela
Bíblia, que Jesus exerce as funções, não de sacerdote diariamente no
lugar santo, mas que Jesus é nosso sumo sacerdote. E esta posição de
Cristo, como sumo sacerdote, é repetida muitas vezes na Bíblia no
livro de Hebreus.
JESUS COMO SUMO SACERDOTE
“Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que
penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão. Porque não
temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas
fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem
pecado. “(Hb 4.14,15)
Fonte cacp