Sucessão apostólica
Sucessão apostólica
por Paulo Cristiano da Silva
Todos conhecem o vocábulo “Papa” e designam-no ao supremo chefe da
Igreja Católica Apostólica Romana. Este termo vem do grego e significa
“Pai”. Já em latim ele é formado pela junção da primeira sílaba das
duas palavras latinas: “Pater Patrum”, que quer dizer “Pai dos Pais”.
Mas o significado que os católicos mais gostam é: “Petri Apostoli
Potestatem Accipiens”, isto é, “aquele que recebe autoridade do
apóstolo Pedro”. Segundo a doutrina católica, o papa é o sucessor de
São Pedro no governo da Igreja Universal e o Vigário de Cristo na
terra. Tem autoridade sobre todos os fiéis e sobre toda a hierarquia
eclesiástica. Além da autoridade espiritual exerce uma territorial
(interrompida de 1870 a 1929), que, a partir de 1929, é limitada ao
Estado da cidade do Vaticano. É infalível quando fala “ex-cathedra” em
assuntos de fé e moral. Alguns títulos que o papa ostenta dão uma
amostra deste desvario descomunal, são eles: Bispo de Roma, Primaz da
Itália, Patriarca do Ocidente, Vigário de Jesus Cristo, Servo dos
Servos de Deus, Sumo-Pontífice da Igreja Universal, Sucessor do
Príncipe dos Apóstolos, Soberano do Estado da Cidade do Vaticano,
Arcebispo e Metropolita da Província Romana e Santo Padre.
O papado teve durante a história de sua existência seus altos e
baixos. Recentemente, o atual papa teve de pedir desculpas aos judeus
pelo seu antecessor o papa Pio XII e se vê em palpos de aranha com a
questão do celibato. Apesar de toda esta imponência de chefe de
Estado, líder espiritual da maior parcela de cristãos do mundo (1
bilhão) e administrador de um império financeiro que a cada ano
acumula bilhões de dólares; algumas perguntas entretanto precisam ser
feitas, tais como: existem provas bíblicas e históricas que indiquem
ser o papa o sucessor do apóstolo Pedro? E Pedro, foi o primeiro papa
e gozou de supremacia sobre os demais apóstolos? Teria Pedro fundado a
igreja de Roma e tornado ela a sede de seu trono episcopal? O escopo
de nossa matéria é apresentar respostas adequadas a perguntas cruciais
como estas, haja vista, a internet estar cheia de sites de cunho
apologético católico com o fito de refutar as verdades claras das
escrituras sagradas apresentadas pelos evangélicos.
“TU ES PETRUS ET SUPER HANC PETRAM AEDIFICABO ECCLESIAM MEAM !”
Esta perícope de Mateus 16:18 é tão especial para a cúria romana, que
mandaram grava-la em enormes letras douradas na cúpula da Basílica de
São Pedro em Roma. Destarte ela é a fonte primacial de toda a
dogmática católica. O “Tu es Petrus”, carrega atrás de si um séqüito
de outras heresias erigidas em cima dos sofismas, dos textos
deslocados de seus respectivos contextos, interpretados de modo
arbitrário pelos teólogos e doutores papistas. É ele o genitor da
infalibilidade papal, do poder temporal, e das demais aberrações
teológicas, ilogismos e invencionices dessa igreja. Portanto,
desmontar à luz da Bíblia todo este disparate teológico é desmoralizar
a base em que se firma a eclesiologia do catolicismo.
A tese católica se firma em três questionáveis pressupostos
principais a saber:
1. A primeira é a que diz que Cristo edificou a Igreja sobre Pedro,
numa interpretação toda tendenciosa e arbitrária de Mateus 16:18,19.
2. A segunda é a que afirma que Pedro fundou e dirigiu a Igreja de
Roma sendo martirizado também lá.
3. A terceira se firma na suposta sucessão apostólica numa cadeia
ininterrupta até nossos dias; de Pedro à Karol Wojtyla (João Paulo II
).
Outrossim, há ainda outros argumentos apresentados por nossos
antagonistas que se firmam nessa trilogia e não poderão ser analisados
de modo minucioso nesta matéria devido ao espaço limitado. Todavia,
poderão ser encontrados em nosso site.
I - EM QUE PEDRA A IGREJA ESTÁ EDIFICADA?
O site católico http://www.lepanto.org.br/ApIgreja.html#Fund da
“Frente Universitária Lepanto” é um site antiprotestante, e na página
sobre a Igreja Católica, interpretando Mat. 16:18, traz a seguinte
declaração: “Esse ponto é muito importante, pois a interpretação
truncada dos protestantes quer admitir o absurdo de que Nosso Senhor
não sabia se exprimir corretamente. Eles dizem que Cristo queria
dizer: "Simão, tu és pedra, mas não edificarei sobre ti a minha
Igreja, por que não és pedra, senão sobre mim." Ora, é uma
contradição, pois Nosso Senhor alterou o nome de Simão para "Kephas",
deixando claro quem seria a "pedra" visível de Sua Igreja.”
Essa bombástica assertiva nada mais é do que o ecoar das conjeturas
conciliares pontificais. A princípio pode até impressionar, mas carece
totalmente de fundamentos. Se não, vejamos: Jesus ao proferir a frase
“E eu te digo que tu és Pedro,(Petrus) e sobre esta pedra(Petra)
edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão
contra ela; e eu te darei as chaves do reino dos Céus: e tudo o que
desatares sobre a terra, será desatado também nos céus.” estava
afirmando que realmente era ele a “PEDRA” a qual seria edificada sua
igreja. Para isto temos razões à saciedade:
1. Jesus ao se referir a Pedro usa o termo grego “Petros” que
significa um “seixo”, “pedregulho”, mas ao se referir à edificação da
Igreja diz ser edificada não sobre o “Petros” (Pedro), mas sobre a
“Petra”, um rochedo inabalável. Ora, Jesus fez nítida diferença
semasiológica entre “Petra” e “Petros”: um é substantivo feminino
singular e está na terceira pessoa; o outro masculino plural e se
encontra na segunda pessoa. Demais disso, nunca o termo “Petra” é
usado na Bíblia em relação a homem algum, mas somente em relação a
Deus. Outrossim, tal verso nem de longe insinua alguma coisa sobre
Roma, sucessão apostólica e congênere. Os católicos conseguem ver o
que não existe no texto!
2. A frase “Tu és o Cristo filho do Deus vivo” é a chave para
entendermos toda a problemática. Jesus perguntou a “TODOS”, e não
somente a Pedro, Quem Ele era. A ele foi revelado confessar que Cristo
era o Messias, o Filho de Deus, daí a frase: “Bem-aventurado és tu,
Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu
Pai, que está nos céus. Pois também eu te digo que tu és Pedro, e
sobre esta pedra edificarei a minha igreja...”, ou seja, sobre a
confissão de que Ele era o Filho de Deus. A bem da verdade, a Igreja
nunca poderia estar solidamente edificada sobre homem algum pois Pedro
apesar de ter sido um grande apóstolo, foi no entanto, falível e
passível de erro como demonstra de maneira sobeja o contexto imediato
(Mat16: 23) e os demais escritos neotestamentario.
3. O significado de “Petros” e “Petra” está de perfeito acordo com o
contexto doutrinário e teológico do N.T. Sendo “Petros” um fragmento
tirado da grande rocha, há de se ver uma conotação com todos os
cristãos como petros, e isto é descrito pelo próprio Pedro: “vós
também, quais pedras vivas, sois edificados como casa espiritual...” I
Pedro 2:5 (ênfase acrescentada). Por sua vez todas elas estão
edificadas sobre a grande Petra que é Jesus Efésios 2.20. Agora
compare estes dois versos: “E quem cair sobre ESTA PEDRA será
despedaçado; mas aquele sobre quem ela cair será reduzido a pó...” “E
eu te digo que tu és Pedro, e sobre ESTA PEDRA edificarei a minha
Igreja...” (ênfase acrescentada). Indubitavelmente, na primeira e na
segunda sentença Jesus é a pedra. Desde a época do salmista (Sl.
118:22), passando pelo profeta Isaias, a palavra profética já
anunciava o Messias, como a PEDRA DE ESQUINA (Is. 28:16). Jesus
afirmou ser ele mesmo essa Pedra, Mateus 21:42,44. Outrossim, é bom
rememorar que na narrativa de Marcos a frase de Cristo: “Tu és Pedro,
e sobre esta pedra edificarei a minha igreja”, é omitida (Mc 8.27-30).
Isto não é de pouca relevância, pois Marcos por muito tempo foi
companheiro de Pedro (I Pe 5.13) e segundo Eusébio, foi deste que
Marcos coletou suas informações para redigir seu evangelho. Pedro em
nenhum momento disse de si mesmo como a rocha ou pedra da igreja, se
não, Marcos teria confirmado de modo enfático. Se porventura o dogma
da superioridade de Pedro é verdadeiro e de tamanha importância, como
a Igreja Católica ensina, não parece praticamente inconcebível que os
registros de Marcos e de Lucas se silenciem a respeito?
4. Kephas significa pedra ou Pedro? João nos dá a resposta: “E o levou
a Jesus. Jesus, fixando nele o olhar, disse: Tu és Simão, filho de
João, tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro).” João 1:42. Veja
que Cefas ou Kephas, significa Pedro e não pedra! Para fazer jus à
coerência e a lógica, Jesus deveria ter dito mais ou menos assim: “Tu
és Kephas e sobre esta kephas edificarei...” ou “Tu és Pedro e sobre
este Pedro edificarei...” se não houvesse nenhuma diferença.
5. Teria Jesus mudado o nome de Simão Barjonas para Pedro ou apenas
acrescentado? Ora, quando se muda um nome faz-se necessariamente uma
substituição. O nome anterior não é mais mencionado como no caso de
Abrão para Abraão. Já no caso de Pedro apenas foi acrescentado como
bem atesta Lucas “agora, pois, envia homens a Jope e manda chamar a
Simão, que tem por sobrenome Pedro” Atos 10:5,18,32 – 11:13 (ênfase
acrescentada). Veja que é um nome acrescentado e não mudado como
querem os teólogos do Vaticano. Veja ainda que ele continuou sendo
chamado de Simão (Atos 15:19) ou Simão Pedro (João 21:2,3,7) algo que
no mínimo seria estranho se o antigo nome tivesse sido trocado. Querer
ver nisto uma ligação da suposta supremacia petrina com relação ao
papado é ir longe demais!
6. Alardeia os católicos em ver na simbologia das chaves (v.19) uma
supremacia jurisdicional sobre toda a cristandade. Conquanto sabemos
ser a chave outorgada realmente a Pedro para “abrir” e “fechar”, no
entanto cabe salientar que foram as chaves do Reino do Céu e não da
Igreja que foram dadas...e Reino do Céu não é a Igreja! O uso dessas
chaves estavam antes nas mãos dos fariseus (cf. Lucas 11:52). Essas
chaves representam a propagação do evangelho de arrependimento de
pecados, pelo qual todos os cristãos, e não Pedro apenas, podem abrir
as portas dos céus para os pecadores que desejam ser salvos. Tanto é,
que em Mateus 18:18 Jesus a confia aos demais apóstolos; Pedro
portanto foi o primeiro a usa-la em Pentecostes, onde quase três mil
almas foram salvas, depois a usou para pregar ao primeiro gentio
Cornélio. É esta a chave que abre a porta, e não é prerrogativa
exclusiva do hierarca católico. Ninguém tem poder de monopoliza-la
como querem os Católicos Romanos.
Certo site Ortodoxo comentando sobre o assunto em lide, disse com
muita propriedade: “Para a Igreja una e indivisa a interpretação desta
passagem do Evangelho é toda outra. Como disse Orígenes (fonte comum
da Tradição patrística da exêgese), Jesus responde com estas palavras
à confissão de Pedro: este torna-se a pedra sobre a qual será fundada
a Igreja porque exprimiu a Fé verdadeira na divindade de Cristo. E
Orígenes comenta: "Se nós dissermos também: 'Tu és o Cristo, Filho de
Deus Vivo', então tornamo-nos também Pedro (...) porque quem quer que
seja que se una a Cristo torna-se pedra. Cristo daria as chaves do
Reino apenas a Pedro, enquanto as outras pessoas abençoadas não as
poderiam receber?". Pedro é, então, o primeiro "crente" e se os outros
o quiserem seguir podem "imitar" Pedro e receber também as mesmas
chaves. Jesus, com as Suas palavras relatadas no Evangelho, sublinha o
sentido da Fé como fundamento da Igreja, mais do que funda a Igreja
sobre Pedro, como a Igreja Romana pretende. Tudo se resume, portanto,
em saber se a Fé depende de Pedro, ou se Pedro depende da Fé... Por
isso mesmo, São Cipriano de Cartago pôde afirmar que a Sé de Pedro
pertence ao Bispo de cada Igreja Local, enquanto São Gregório de Nissa
escrevia que Jesus "deu aos Bispos, através de Pedro, as chaves das
honras do Céu". A sucessão de Pedro existe onde a Fé justa (ortodoxa)
é preservada e não pode, então, ser localizada geograficamente, nem
monopolizada por uma só Igreja nem por um só indivíduo. Levando a
teoria da primazia de Roma às últimas conseqüências, seríamos
obrigados a concluir que somente Roma possui essa Fé de Pedro - e,
nesse caso, teríamos o fim da Igreja una, santa, católica e apostólica
que proclamamos no Credo: atributos dados por Deus a todas as
comunidades sacramentais centradas sobre a Eucaristia.” E mais
“Afirma, depois, a Igreja de Roma que é ela a Igreja fundada por Pedro
e que essa fundação apostólica especial lhe dá direito a um lugar
soberano sobre todo o universo. Ora a verdade é que, para além do fato
de não sabermos realmente se São Pedro foi o fundador dessa Igreja
Local e o seu primeiro Papa (aliás, terão os Apóstolos sido Bispos de
qualquer Igreja Local...?), temos conhecimento que outras cidades ou
outras localidades mais pequenas podiam, igualmente, atribuir a si
mesmas essa distinção, por terem sido fundadas por Pedro, Paulo, João,
André ou outros Apóstolos. Assim, o Cânone do 6º Concílio de Nicéia
reconhece um prestígio excepcional às Igrejas de Alexandria, Antioquia
e Roma, não pelo fato de terem sido fundadas por Apóstolos, mas porque
eram na altura as cidades mais importantes do Império Romano e, sendo
assim, deram origem a importantes Igrejas Locais...”
ONDE A PRIMAZIA DE PEDRO?
A dialética vaticana ávida por achar um nepotismo em Pedro em
detrimento aos demais apóstolos, esquiva-se em seus sofismas
teológicos. Procuram a qualquer preço encontrar nas sagradas
escrituras um elo de ligação entre a “protagonização” de Pedro e a
alegada supremacia do papa. Os argumentos apresentados são quase
sempre furtados de seus contextos a fim de fortalecer essa cadeia de
quimeras teológicas. Para justificar tal devaneio, saem pela tangente
arrazoando que:
a) A Pedro foi conferida com exclusividade a chave dos céus (Mat.
16:19).
b) A Pedro foi dado por duas vezes, cuidar com exclusividade do
rebanho de Cristo (Lc. 22:31,32 – Jo 21:15,17).
c) Pedro foi o primeiro a pregar um sermão em Pentecostes. (At. 2:14)
d) Pedro foi o primeiro a evangelizar um gentio. (At. 10:25)
e) Testemunha, diante do Sinédrio, a mensagem de Cristo. (At. 4:8)
f) No catálogo dos apóstolos (Mt 10:2-4; Mc 3:16-19; Lc 6:13-16; At
1:13), o nome de Pedro sempre é colocado em primeiro lugar.
g) Escolhe Matias para suceder Judas. (At. 1:15)
A pessoa que analisar o assunto pelas lentes papistas, tende a ficar
impressionada com a avalanche de textos que colocam Pedro no topo da
lista de exclusividades. A primeira vista, a abundância de primeiro,
primeiro, primeiro tende a sustentar essa corrente. Entrementes, vamos
expurgar do engodo romanista tais textos e veremos que não são tão
pujantes quanto parecem.
a) A questão correspondente já está respondida de maneira sobeja neste
opúsculo.
b) Os católicos frisam nestes textos a palavra “confirmar e
apascentar” e vêem neles uma suposta primazia jurisdicional petrina. A
falácia deste argumento está em não mostrar que o apóstolo Paulo
também “confirmava” as igrejas (cf. At. 14:22 – 15:32,41). Quanto ao
“apascentar”, esta também não era uma exclusividade de Pedro pois
todos os bispos consoante At. 20:28 deveriam ter esta incumbência.
Para sermos coerentes deveríamos dar este “status” de primazia aos
demais, pois não só apascentavam como confirmavam as igrejas.
c) Ora, Pedro ao pregar em pentecostes estava apenas fazendo uso das
chaves para abrir a porta da salvação. Demais disso, alguém tinha de
tomar a palavra e coube a Pedro o mais velho e intrépido. Mas... ao
terminar a mensagem, ninguém o teve por especial, mas dirigiram-se a
todos (At. 2:37) com a expressão: “Que faremos varões IRMÃOS?” (ênfase
acrescentada). Dirigiram-se a toda a igreja e não apenas a Pedro.
d) Ao contrário do que pensam os católicos, o caso de Cornélio é um
contragolpe no argumento romanista pois Pedro teve de dar explicações
perante a Igreja por ter se misturado e comido com um gentio.
Raciocinemos, onde a primazia de Pedro neste episódio? Se a tivesse,
porventura daria explicações perante seus supostos comandados?
Certamente que não! Mas Pedro teve de se explicar, por que não possuía
nenhum governo sobre os demais.
e) A refutação segue o mesmo parâmetro da anterior.
f) É bom frisarmos que este primeiro lugar na lista de nomes é apenas
de caráter cronológico e não funcional. Percebe-se que os quatro
primeiros nomes da lista dos sinópticos são: Simão, André, João e
Tiago são os primeiros a serem chamados para seguir o mestre e dentre
eles coube a Pedro ter uma prioridade cronológica. Não obstante em
outros lugares como em Gálatas 2:9 seu nome não aparece nesta posição.
g) A miopia exegética é um mal constante na cúpula romana e leva-a a
ver o que não está no texto! Lendo cuidadosamente At. 1:15-26 vemos
que Pedro apenas expôs o problema, qual seja, a falta de um sucessor
para o cargo de Judas, no entanto Matias foi eleito pela igreja por
voto comum, e não por decisão de Pedro.
Os sofismas destes textos são flagrantes, contudo, a derrocada
teológica peremptória destes argumentos, está nas atitudes de Cristo –
o ÚNICO Sumo Pastor, Chefe Supremo, Cabeça e Fundamento da Igreja – em
não titubear e corrigir algumas precoces ambições de supremacia entre
eles. Certa feita tal idéia foi sugerida ao mestre (Mateus 20:18-27)
que no mesmo instante a rechaçou dizendo: “...Sabeis que os
governadores dos gentios os dominam, e os seus grandes exercem
autoridades sobre eles.Não será assim entre vós; antes, qualquer que
entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva; e
qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será vosso servo;...”
(ênfase acrescentada). Noutra feita essa questão foi novamente
levantada. (cf. Lucas 22:24) Veja que se os apóstolos tivessem cientes
desta utópica promessa, de maneira alguma teriam levantado esta
questão e o próprio pescador Galileu, ou mesmo Jesus, haveriam de
esclarecer-lhes o primado de Simão Pedro sobre eles, a recordar a
alegada promessa em Mateus 16:18. Mas não o fez, simplesmente por não
existir.
O próprio Pedro desfaz essa lenda ao dizer que: “ninguém tenha DOMÍNIO
sobre o rebanho...” (cf. I Pd. 5:1-3) Não se pode ver aí nenhum
vestígio de superioridade, supremacia ou destaque sobre os demais,
pois ele mesmo se igualava aos outros dizendo: “...que sou também
presbítero com eles...” Pedro jamais mandou! Pelo contrário, foi
mandado...e obedeceu (Atos 8:14) fazendo jus às palavras de Jesus “Não
é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele
que o enviou.” (Jo. 13:16)
II - PEDRO ESTEVE EM ROMA?
Não obstante a Bíblia trazer um silêncio sepulcral sobre o assunto, os
católicos afirmam ser fato incontestável ter sido o apóstolo Pedro o
fundador da igreja em Roma. Atribuem-lhe ainda um pontificado de 25
anos na capital do império e conseqüente morte neste lugar. É claro
que estas ligações são a-priori de valor inestimável, pois
entrelaçadas vão robustecer a tese vaticana da primazia do papado.
Contudo, não deixam de ser argumentos gratuitos! Há de se frisar que
somente a chamada “(con) tradição”, vem em socorro da causa romanistas
nestas horas e mesmo assim de maneira dúbia. Vejamos:
Pedro não pode ter sido papa durante 25 anos, pois foi martirizado no
reinado do Imperador Nero, por volta de 67/68. Subtraindo vinte cinco
anos, retrocederemos ao ano de 42 ou 43. Nessa época não havia se
realizado o Concílio de Jerusalém (Atos 15), que se deu por volta de
48-49, Pedro participou (mas não deveria pois segundo a tradição,
nesta época, ele estava em Roma), no entanto, foi Tiago quem o
presidiu (Atos 15;13,19). Em 58, Paulo escreveu a epístola aos
Romanos. E no capítulo 16 mandou uma saudação para muitos irmãos, mas
Pedro sequer é mencionado. Paulo chegou a Roma no ano 62 e foi
visitado por muitos irmãos (Atos 28;30 e 31). Todavia, nesse período,
não há nenhuma menção de Pedro. O Apóstolo Paulo escreveu quatro
cartas de Roma: Efésios, Colossensses, Filemon(62) e Filipenses(entre
67 e 68) mas Pedro não é mencionado em nenhuma delas. Se Pedro estava
em Roma no ano 60, como se deve entender a revelação referida nos Atos
dos Apóstolos 23:11, em que Jesus disse a Paulo: “Importa que dês
testemunho de mim também em Roma?” Cadê o papa de Roma na ocasião?
É por estas e outras que não acreditamos que Pedro tenha fundado ou
presidido a Igreja de Roma como afirmam os católicos!
III - O INSUSTENTÁVEL SUPORTE DA TRADIÇÃO
A tradição é um dos pilares nos quais se assenta a teologia romanista.
O principal órgão desta tradição é a chamada “Patrística” que são os
escritos dos primitivos cristãos. Essa tradição é de relevante valor à
causa católica, pois dela advem toda a sofismática da tal “Sucessão
Apostólica”. É dela que é extraída a má interpretação de Mateus 16:18,
da primazia de Roma, da corrente sucessória de S. Pedro etc. Na
verdade as coisas são bem diferentes quando analisadas de maneira
honesta.
Dos inúmeros “pais da Igreja”, somente 77 opinaram a respeito do
assunto de Mateus 16:18, sendo que 44 reconheceram ser a fé de Pedro a
rocha. 16 deles julgaram ser o próprio Cristo e somente 17 concordaram
com a tese vaticana. Nenhum deles afirmavam a infalibilidade de Pedro
e tão pouco o tinham como papa. Exemplo disso é S. Agostinho que em
seu Livro I, Capítulo 21 das Retratações (Livro escrito no fim da sua
vida, para retratar-se de seus escritos anteriores) expressamente
afirma que sempre, salvo uma vez, ele havia explicado as palavras
Sobre esta pedra - não como se referissem à pessoa de Pedro, mas sim a
Cristo, cuja Divindade Pedro havia reconhecido e proclamado.
Diz certa fonte católica que: “Se a corrente da sucessão apostólica
por alguma razão encontra-se interrompida, então as ordenações
seguintes não são consideradas válidas, e as missas e os mistérios,
realizados por pessoas ilegalmente ordenadas — desprovidos da graça
divina. Essa condição é tão séria que a ausência de sucessão dos
bispos em uma ou outra denominação cristã despoja-a da qualidade de
Igreja verdadeira, mesmo que o bensino dogmático presente nela não
esteja deturpado. Esse foi o entendimento da Igreja desde o seu
início.”
Pois bem, procurarei não ser prolixo ao historiar sobre essa questão.
Todos sabem que o trono dos papas teve seus momentos de vacância,
muitos papas conquistaram este título por dinheiro, alguns papas
considerados legítimos foram condenados como hereges, outros pela
ganância do cargo foram envenenados por seus rivais, ainda outros
foram nomeados por imperadores; quando não, havia três ou mais papas
se excomungando mutuamente pela disputa da cadeira de São Pedro. Sem
falar é claro, da época negra da pornocracia. Não é debalde que na
“Divina Comédia”, Dante Alighieri, coloca vários papas no inferno! Há
ainda uma tremenda contradição nas muitas listas dos pontífices
romanos expostas por historiadores católicos, nas quais os nomes de
tais sucessores aparecem trocados ou faltando. Não creio que estes
homens sejam os verdadeiros sucessores da cátedra de Pedro! A bem da
verdade, essa tal sucessão ininterrupta e contínua dos papas é
totalmente arrebentada e falsa. É por demais ultrajante mesmo para uma
mente mediana suportar tamanha incongruência!
Pelo que foi resumidamente exposto acima, podemos concluir serenamente
que: PEDRO NUNCA FOI PAPA E NEM O PAPA É O VIGÁRIO DE CRISTO.
OBRAS CONSULTADAS
NOITES COM OS ROMANISTAS; M.H. Seymour –Edições Cristãs
DOZE HOMENS, UMA MISSÃO; ARAMIS C. DE BARROS – EDITORA LUZ E VIDA
O CRISTIANISMO ATRAVÉS DOS SÉCULOS; EARLE E. CAIRNS – EDICÇOES VIDA
NOVA
PEDRO NUNCA FOI PAPA NEM O PAPA É VIGÁRIO DE CRISTO; ANIBAL P. REIS –
EDIÇÕES CAMINHO DE DAMASCO
QUEM FUNDOU SUA IGREJA; Pe. ALBERTO LUIZ GAMBARINI – EDITORA ÁGAPE
(católico)
OS PAPAS ; AQUILES PINTONELLO – EDIÇÕES PAULINAS
A HIERARQUIA; Pe. JOSÉ COMBLIN – PAULUS
Fonte Cacp