Inquisição católica
Inquisição
por Airton Evangelista da Costa
AOS LEITORES
Este trabalho é um esboço, um ensaio, um estudo, em que condensamos
diversos fatos relacionados com a INQUISIÇÃO [ Veja como funciona hoje
a Inquisição católica ]. O assunto, de tão vasto, não se esgota nestas
páginas.
As dificuldades enfrentadas pela Igreja de Cristo através dos séculos
devem ser conhecidas por todos os cristãos. Os católicos precisam
conhecer a história negra de sua igreja. Os evangélicos não devem
esquecer os heróis da fé, os homens que, com ousadia, romperam com as
tradições, com o poder eclesiástico de sua época, e ajudaram na
implantação de uma igreja reformada, livre do poder papal, submissa a
Jesus, e tendo a Bíblia Sagrada como única regra de fé e prática.
Conhecer um pouco dos horrores dos tribunais eclesiástico é descobrir
o quão difícil foi a caminhada até os dias atuais. Os alicerces de
nossa fé ficam mais fortalecidos quando nos miramos no exemplo de
nossos irmãos do passado, "atribulados mas não angustiados; perplexos,
mas não desanimados, perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas
não destruídos", pois "BEM-AVENTURADOS SOIS VÓS, QUANDO VOS
INJURIAREM E PERSEGUIREM E, MENTINDO, DISSEREM TODO O MAL CONTRA VÓS
POR MINHA CAUSA" (Mateus 5.11).
A lista dos mártires e perseguidos parece não ter fim. A Igreja
Católica estava disposta a vigiar e manter sob seu domínio todo o
universo do pensamento humano. Qualquer um que ousasse defender suas
idéias - científicas, religiosas, ou em qualquer área -, em desacordo
com a interpretação do Vaticano, era considerado um herético, e, por
isso, por esse crime, julgado e condenado. Era quase impossível aos
hereges se livrarem da tortura e da fogueira.
Pelo modo cruel como os protestantes foram massacrados; pela forma
cruel com que subjugaram alguns, sob tortura; em razão dos milhões que
perderam a vida nas Cruzadas, nas fogueiras ou de outras maneiras, e
por muitas outras práticas assassinas e injustas usadas no decorrer de
vários séculos de INQUISIÇÃO, não vacilamos em afirmar que esse
monstruoso Santo Ofício foi UM CRIME CONTRA A HUMANIDADE... todavia,
um crime que não mais se repetirá, NUNCA MAIS. Louvado seja nosso
Senhor e Salvador Jesus Cristo.
INQUISIÇÃO: SIGNIFICADO E OBJETIVO
Também chamada de Santo Ofício, INQUISIÇÃO era a designação dada a um
tribunal eclesiástico, vigente na Idade Média e começos dos tempos
modernos. Esse Tribunal, instituído pela Igreja Católica Romana, tinha
por meta prioritária julgar e condenar os hereges. A palavra "herege"
significa aquele que escolhe, que professa doutrina contrária ao que
foi definido pela Igreja como sendo matéria de fé. Então, todos os que
se rebelavam contra a autoridade papal ou faziam qualquer espécie de
crítica à Igreja de Roma eram considerados hereges.
INQUISIÇÃO é o ato de INQUIRIR: indagar, investigar, pesquisar,
perguntar, interrogar judicialmente. Os hereges seriam os "irmãos
separados", os "protestante", os "crentes", os "evangélicos" de hoje.
Em suma, a INQUISIÇÃO foi um tribunal eclesiástico criado com a
finalidade de investigar e punir os crimes contra a fé católica. Da
Enciclopédia BARSA, vol 7, pags. 286-287 extraímos o seguinte: "
Heresia, no sentido geral é uma atitude, crença ou doutrina, nascida
de uma escolha pessoal, em oposição a um sistema comumente aceito e
acatado. É uma opinião firmemente defendida contra uma doutrina
estabelecida. A Igreja Católica, no seu Direito Canônico, estabelece
uma distinção entre heresia, apostasia e cisma. Assim diz este
documento:
"Depois de recebido o batismo, se alguém, conservando o nome de
cristão, nega algumas das verdades que se devem crer com fé divina e
católica ou dela duvida, é HEREGE. Se afasta-se totalmente da fé
cristã, é APÓSTATA. Se recusa submeter-se ao Sumo Pontífice (o Papa)
ou tratar com os membros da Igreja aos quais está sujeito, é
CISMÁTICO" (Direito Canônico 1.325, párag. 2).
Então, por esse raciocínio e decreto de Roma, os milhões de crentes no
mundo são hereges e cismáticos porque negam muitas das "verdades" da
fé católica, não se submetem ao Sumo Pontífice, e só reconhecem Jesus
Cristo como autoridade máxima da Igreja. De acordo com o que foi
noticiado em janeiro/98 pelos jornais, a Igreja Católica Romana
resolveu abrir os arquivos do Santo Ofício ou Inquisição, colocando-os
à disposição dos pesquisadores. Nesses arquivos constam 4.500 obras
sob fatos e julgamentos de quatro séculos da Igreja Católica, conforme
noticiado. A abertura desses processos é de muita valia para os
pesquisadores, historiadores e interessados em conhecer um pouco mais
do passado negro da Igreja de Roma. Nem por isso a humanidade deixou
de conhecer as crueldades, as chacinas, o extermínio, as torturas que
tiraram a vida de milhões de hereges. Os arquivos do Vaticano vão
mostrar, certamente, com mais detalhes, como foram conduzidos os
processos sumários e quais os métodos usados para obter confissões e
retratações. Todavia, a guarda a sete chaves dessas informações não
impediu que o mundo tomasse conhecimento dos crimes cometidos pelos
tribunais inquisitórios. A História não pode ser apagada.
O INÍCIO DAS PERSEGUIÇÕES
Embora a Inquisição tenha alcançado seu apogeu no século XIII, suas
origens remontam ao século IV:
O herege espanhol Prisciliano foi condenado à morte pelos bispos
espanhóis no ano de 1385; no século X muitos casos de execuções de
hereges, na fogueira ou por estrangulamento; em 1198 o Papa Inocêncio
III liderou uma cruzada contra os "ALBIGENSES" (hereges do sul da
França), com execuções em massa; em 1229, no Concílio de Tolouse, foi
oficialmente criada a Inquisição ou Tribunal do Santo Ofício, sob a
liderança do Papa Gregório IX; em 1252, o Papa Inocêncio IV publicou o
documento intitulado "AD EXSTIRPANDA", em que vociferou: "os hereges
devem ser esmagados como serpentes venenosas". Este documento foi
fundamental na execução do diabólico plano de exterminar os hereges.
As autoridades civis, sob a ameaça de excomunhão no caso de recusa,
eram ordenadas a queimar os hereges. O "AD EXSTIRPANDA" foi renovado
ou reforçado por vários papas, nos anos seguintes:
" Alexandre IV
" (1254-1261); Clemente IV (1265-1268), Nicolau IV
" (1288-1292); Bonifácio VIII (1294-1303) e outros.
" Inocêncio IV autorizou o uso da tortura.
OS MÉTODOS DE TORTURA
No seu "Livro das Sentenças da Inquisição" (Liber Sententiarum
Inquisitionis) o padre dominicano Bernardo Guy (Bernardus Guidonis,
1261-1331), "um dos mais completos teóricos da Inquisição", descreveu
vários métodos para obter confissões dos acusados, inclusive o
enfraquecimento das forças físicas do prisioneiro".
Usava-se, dentre outros, os seguintes processos de tortura: a
manjedoura, para deslocar as juntas do corpo; arrancar unhas; ferro em
brasa sob várias partes do corpo; rolar o corpo sobre lâminas afiadas;
uso das "Botas Espanholas" para esmagar as pernas e os pés; a Virgem
de Ferro: um pequeno compartimento em forma humana, aparelhado com
facas, que, ao ser fechado, dilacerava o corpo da vítima; suspensão
violenta do corpo, amarrado pelos pés, provocando deslocamento das
juntas; chumbo derretido no ouvido e na boca; arrancar os olhos;
açoites com crueldade; forçar os hereges a pular de abismos, para cima
de paus pontiagudos; engolir pedaços do próprio corpo, excrementos e
urina; a "roda do despedaçamento funcionou na Inglaterra, Holanda e
Alemanha, e destinava-se a triturar os corpos dos hereges; o "balcão
de estiramento" era usado para desmembrar o corpo das vítimas; o
"esmaga cabeça" era a máquina usada para esmagar lentamente a cabeça
do condenado, e outras formas de tortura. [clik aqui p/ ver esses
instrumentos]
Com a promessa de irem diretamente para o Céu, sem passagem pelo
purgatório, muitos homens eram exortados pelos inquisidores para
guerrearem contra os hereges. No ano de 1209, em Beziers (França), 60
mil foram martirizados; dois anos depois, em Lauvau (França), o
governador foi enforcado, sua mulher apedrejada e 400 pessoas
queimadas vivas. A carnificina se espalhou por outras cidades e
milhares foram mortos. Conta-se que num só dia 100.000 hereges foram
vitimados. Depois de acusados, os hereges tinham pouca chance de
sobrevivência. Geralmente as vítimas não conheciam seus acusadores,
que podiam ser homens, mulheres e até crianças.
O processo era sumário. Ou seja: rápido, sem formalidades, sem direito
de defesa. Ao réu a única alternativa era confessar e retratar-se,
renunciar sua fé e aceitar o domínio e a autoridade da Igreja Católica
Romana. Os direitos de liberdade e de livre escolha não eram
respeitados. A Igreja de Roma, sob o pretexto de que detinha as chaves
dos céus e do inferno e poderes para livrar as almas do purgatório e
perdoar pecados, pretendia ser UNIVERSAL, dominar as nações mediante
pressão sob seus governantes e estabelecer seus domínios por todo o
Planeta.
CRUELDADE E MATANÇA
A seguir, um relato sucinto do extermínio de hereges.
A matança dos valdenses -
Um dos primeiros grupos organizados a serem atormentados foram os
valdenses. Valdenses eram chamados "os membros da seita, também
chamada Pobres de Lião, fundada pelo mercador Pedro Valdo por volta de
1170, na França. Inspirada na pobreza evangélica, repudiava a riqueza
da Igreja Católica". O grupo organizado por Pedro Valdo, um rico
comerciante, cria que todos os homens tinham o direito de possuir a
Bíblia traduzida na sua própria língua. Acreditavam, também, que a
Bíblia era a autoridade final para a fé e para a vida. Os valdenses se
vestiam com simplicidade - contrapondo-se à luxúria dos sacerdotes
católicos - , ministravam a Ceia do Senhor e o Batismo, e ordenavam
leigos para a pregação e ministração dos sacramentos. "O grupo tinha
seu próprio clero, com bispos, sacerdotes e diáconos". Tal liberdade
não era admitida pela Igreja Católica porque não havia submissão ao
Papa e aos seus ensinos. Os valdenses possuíam a Bíblia traduzida na
sua língua materna, o que facilitou a pregação da Palavra. Outros
grupos sucumbiram diante das ameaças e castigos impostos pelos
romanistas. Os valdenses, todavia, resistiram. Na escuridão das
cavernas, cada versículo era copiado, lido e ensinado. Na Bíblia
encontraram a Luz - uma luz forte que inunda corpo, alma e espírito...
uma luz chamada Jesus. Os valdenses foram, certamente, os primeiros a
se organizarem como igreja, formar seu próprio clero e enviar
missionários para outras regiões na França e Itália. Tudo com muito
sacrifício e sob implacável perseguição. Essa liberdade de ação
motivou os líderes romanos a adotarem medidas duras contra a "seita".
Uma bula papal classificou os valdenses como hereges e, como tal,
condenados à morte. A única acusação contra eles era a de que "tinham
uma aparência de piedade e santidade que seduzia as ovelhas do
verdadeiro aprisco". Uma cruzada foi organizada contra esse povo
santo. Como incentivo, a Igreja prometia perdão de todos os pecados
aos que matassem um herege, "anulava todos os contratos feitos em
favor deles (dos valdenses), proibia a toda a pessoa dar-lhe qualquer
auxílio, e era permitido se apossar de suas propriedades por meio de
violência". Não se sabe quantos valdenses morreram nas Cruzadas.
Sabemos, portanto, que esses obstinados cristãos fincaram os alicerces
da Reforma que viria séculos depois.
O Massacre De São Bartolomeu
Os católicos franceses apelidavam de "huguenotes" os protestantes. Uma
designação depreciativa. Já fomos tratados de huguenotes, hereges,
heréticos, protestantes, cristãos novos, irmãos separados, crentes,
evangélicos, etc. No entanto, o Pai Celestial nos chama de FILHOS.
O massacre de São Bartolomeu ou a Noite de São Bartolomeu ficou
conhecido como "a mais horrível entre as ações diabólicas de todos os
séculos". Com a concordância do Papa Gregório XIII, o rei da França,
Carlos IX, eliminou em poucos dias milhares de huguenotes. A matança
iniciou-se na noite de 24.08.1572, em Paris, e se estendeu a todas as
cidades onde se encontravam protestantes. Segundo o Livro "O Grande
Conflito", foram martirizados cerca de setenta mil nesse massacre.
"Quando a notícia do massacre chegou a Roma, a alegria do clero não
teve limites. O cardeal de Lorena recompensou o mensageiro com mil
coroas; o canhão de Santo Ângelo reboou em alegre salva; os sinos
dobraram em todos os campanários; e o Papa Gregório XIII, acompanhado
dos cardeais e outros dignitários eclesiásticos, foi, em longa
procissão, à igreja de S.Luís, onde o cardeal de Lorena cantou o Te
Deum. Um sacerdote falou "daquele dia tão cheio de felicidade e
regozijo, em que o santíssimo padre recebeu a notícia e foi em aparato
solene dar graças a Deus e a S.Luís".
Para comemorar e perpetuar na memória dos povos esse horrendo
massacre, por ordem do Papa Gregório XIII foi cunhada uma moeda, onde
se via a figura de um anjo com a espada numa mão e, na outra, uma
cruz, diante de um grupo de horrorizados huguenotes. Nessa moeda
comemorativa lia-se a seguinte inscrição: "UGONOTTORUM STANGES, 1572"
("A MATANÇA DOS HUGUENOTES, 1572"). Em seu livro "OS PIORES ASSASSINOS
E HEREGES DA HISTÓRIA", o historiador e pesquisador cearense Jeovah
Mendes, à pág. 238, assim registra a fatídica Noite de S.Bartolomeu:
"Papa Gregório XIII (Ugo Buoncompagni) (1502-1585) - Em irreprimível
ritmo acelerado recrudescia o ódio contra os protestantes em rumo de
um trágico desfecho. O cardeal de Lorena, com a aprovação e bênção
pontifícia de Gregório XIII, engendrou o mais horrível banho de sangue
por motivos religiosos em toda a História da França ou de qualquer
nação do mundo. Consumou-se o projeto assassino aos 24 de agosto de
1572, a inqualificável NOITE DE S.BARTOLOMEU, sendo nesse macabro
festival de sangue, morto o impetérrito Coligny, mártir do Evangelho e
honra de sua Pátria. Como troféu da bárbara carnificina, a cabeça de
Coligny fora remetida ao "sumo pontífice" Gregório XIII (Maurício
Lachatre, História dos Papas, vol. IV, pg. 68)".
O Massacre Dos Albigenses
Albigenses eram os nascidos na cidade de Albi, sul da França. Em 1198,
por iniciativa do Papa Inocêncio III, foram instituídos "Os
Inquisidores da Fé contra os Albigenses". Esses franceses foram
considerados "hereges" porque seus ensinos doutrinários não se
alinhavam com os da Igreja de Roma. O extermínio começou no ano de
1209 e se estendeu por 20 anos, quando milhares de albigenses
pereceram. Fala-se em mais de 20.000 mortos, entre homens, mulheres e
crianças.
O Massacre Da Espanha
Tomás de Torquemada (1420-1498), espanhol, padre dominicano, nomeado
para cargo de grande-inquisidor pelo Papa Sisto IV, dirigiu as
operações do Tribunal do Santo Ofício durante 14 anos. "Celebrizou-se
por seu fanatismo religioso e crueldade". De mãos dadas com os reis
católicos, promoveu a expulsão dos judeus da Espanha por édito real de
31.03.1492, tendo estes o prazo reduzido de quatro meses para se
retirarem do país sem levar dinheiro, ouro ou prata. É acusado de
haver condenado à fogueira 10.220 pessoas, e cerca de 100.000 foram
encarceradas, banidas ou perderam haveres e fazendas. Tudo em nome da
fé católica e da honra de Jesus Cristo.
O Massacre Dos Anabatistas
Grupo religioso iniciado na Inglaterra no século XVI, que defendia o
batismo somente de pessoa adulta. Por autorização do Papa Pio V
(1566-1572), cem mil foram exterminados.
O Massacre Em Portugal
Diante dos insistentes pedidos de D. João III, o Papa Paulo III
introduziu, por bula de 1536, o Tribunal do Santo Ofício em Portugal.
As perseguições foram de tal ordem que o comércio e a indústria na
Espanha e em Portugal ficaram praticamente paralisados. "As execuções
públicas eram conhecidas como autos-de-fé. No começo, funcionaram
tribunais da Inquisição nas diversas dioceses de Portugal, mas no
século XVI ficaram apenas os de Lisboa, Coimbra e Évora. Depois,
somente o da capital do reino, presidido pelo inquisidor-geral. Até
1732, em Portugal, o número de sentenciados atingiu 23.068, dos quais
1.554 condenados à morte. Na torre do Tombo, em Lisboa, estão
registrados mais de 36.000 processos". Daí porque os 4.500 processos
constantes dos arquivos de terror do Vaticano - Os Arquivos do Santo
Ofício - recentemente liberados aos pesquisadores, não contam toda a
história da desumana Inquisição.
REFERÊNCIAS GERAIS SOBRE A INQUISIÇÃO
A Inquisição Em Cuba
Não havia parte nenhuma no mundo onde os protestantes ou hereges
estivessem livres para o exercício de sua fé. Partindo da Europa,
muitos procuraram refúgio nas Américas do Sul e Central, o "Novo
Mundo". Mas para cá também vieram os inquisidores. A inquisição em
Cuba iniciou-se em 1516 sob o comando de dom Juan de Quevedo, bispo de
Cuba, que, com requintes de maldade, eliminou setenta e cinco
"hereges".
A Inquisição No Brasil
O padre Antônio Vieira (1608-1697), pregador missionário e diplomata,
defensor dos indígenas, considerado a maior figura intelectual
luso-brasileira do séc. 17 foi condenado por heresia pelo Santo
Ofício, e mantido em prisão por cerca de dois anos. O brasileiro
Antônio José da Silva, poeta e comediólogo, foi um dos supliciados em
autos-da-fé. A Inquisição se instalou no Brasil em três ocasiões: Em
09.06.1591, na Bahia, por três anos; em Pernambuco, de 1593 a 1595; e
novamente na Bahia, em 1618. Há notícia de que no século XVIII
Inquisição atuou no Brasil. Segundo o jornal "Mensageiro da Paz",
número 1334, de maio/1998, "cento e trinta e nove "pessoas foram
queimadas vivas, no Brasil, entre os anos de 1721 e 1777. Todos os que
confessavam não crer nos dogmas católicos eram sentenciados. De acordo
com os dados históricos, quase todos os cristãos-novos presos no
Brasil pela Inquisição, durante o século 18, eram brasileiros natos e
pertenciam a todas as camadas sociais. Praticamente a metade dos
prisioneiros brasileiros cristãos-novos no século 18 era mulheres. Na
Paraíba, Guiomar Nunes foi condenada à morte na fogueira em um
processo julgado em Lisboa. A Inquisição interferiu profundamente na
vida colonial brasileira durante mais de dois séculos. Um dos exemplos
dessa interferência era a perseguição aos descendentes de judeus. Os
que estavam nessa condição podiam ser punidos com a morte, confisco
dos bens e na melhor das hipóteses ficavam impedidos de assumir cargos
públicos". A matéria do Mensageiro da Paz foi assinada por Regina
Coeli. Do livro "BABILÔNIA: A RELIGIÃO DOS MISTÉRIOS" de Ralph Woodrow
- "As autoridades civis eram ordenadas pelos papas, sob pena de
excomunhão, a executarem as sentenças legais que condenavam os hereges
impenitentes ao poste. Deve-se notar que a excomunhão em si mesma não
era uma coisa simples, pois, se a pessoa excomungada não se livrasse
da excomunhão dentro de um ano, passava a ser considerada herética, e
incorria em todas as penalidades que afetavam a heresia" (pág. 110).
"A intolerância religiosa que incitou a Inquisição, causou guerras que
envolveram cidades inteiras. Em 1209 a cidade de Beziers foi tomada
por homens que tinham recebido a promessa do papa de que entrando na
cruzada contra os hereges, eles (os assassinos), ao morrerem,
passariam direto para o céu, desviando-se do purgatório. Reporta-se
que sessenta mil, nesta cidade, pereceram pela espada. Em Lavaur, em
1211, o governador foi enforcado e a esposa lançada num poço e
esmagada com pedras. Quatrocentas pessoas foram queimadas vivas em
Lavaur. Os cruzados assistiram à missa solene pela manhã, em seguida
passaram a tomar outras cidades da área. Neste cerco estima-se que cem
mil albigenses (protestantes) caíram em um só dia. Seus corpos foram
amontoados e queimados. No massacre de Merindol, quinhentas mulheres
foram trancadas em um celeiro ao qual atearam fogo. Se qualquer uma
pulasse das janelas seria recebida na ponta de lanças. Mulheres foram
ostensiva e dolorosamente violentadas. Crianças assassinadas diante de
seus pais. Algumas pessoas eram lançadas de abismos ou arrancavam suas
roupas e arrastavam-nas pelas ruas. Métodos semelhantes foram usados
no massacre de Orange em 1562. O exército italiano, enviado pelo Papa
Pio IV, recebeu ordem e matar homens, mulheres e crianças. A ordem foi
seguida com terrível crueldade, sendo o povo exposto a vergonha e
tortura indescritíveis. Dez mil huguenotes (protestantes) foram mortos
no sangrento massacre em paris no "Dia de São Bartolomeu", em 1572".
(págs. 113-114). Enciclopédia BARSA, vol. 8, pág. 30-31, edição 1977
Em 1229, no Concílio de Tolouse, criou-se oficialmente a Inquisição ou
Tribunal do Santo Ofício. A partir deste momento, e sobretudo com o
trabalho dos frades dominicanos, foi-se precisando a legislação e
jurisprudência da Inquisição. O processo era sumário. O acusado podia
ignorar o nome do acusador. Mulheres, crianças e escravos podiam ser
testemunhas na acusação, mas não na defesa. Num destes processos
consta o nome de uma testemunha de dez anos e idade. O padre
dominicano Bernardo Guy (Bernardus Guidonis, 1261-1331), um dos mais
completos teóricos da Inquisição, enumerou, no seu Liber Sententiarum
Inquisitionis ("Livro das Sentenças da Inquisição"), vários processos
para a boa obtenção de confissões, inclusive pelo enfraquecimento das
forças físicas do prisioneiro."
Do livro "OS PIORES ASSASSINOS E HEREGES DA HISTÓRIA, DE CAIM A SADDAM
HUSSEIN, do cearense Jeovah Mendes, edição 1997, págs 249-250.
"Em toda a sua calamitosa história, a Igreja Católica nada mais tem
feito que perseguir o homem, sob o sofisma de agir em nome de Deus.
Vejamos os morticínios que ela levou a efeito: As cruzadas à Terra
Santa custaram à humanidade o sacrifício de dois milhões de vítimas;
de Leão X a Clemente IX (papas) os sanguinários agentes do
catolicismo, que dominavam a França, a Holanda, a Alemanha, a Flandes
e a Inglaterra, realizaram a tenebrosa São Bartolomeu, de que já
falamos, degolando, massacrando, queimando mais de dois milhões de
infiéis, enquanto a Companhia de Jesus, obra do abominável Inácio de
Loyola, cometia as maiores atrocidades, chegando mesmo a envenenar o
Papa Clemente XIV. O seu agente S. Francisco Xavier, em missão no
Japão, imolava cerca de quatrocentos mil nipônicos; as cruzadas
levadas a efeito entre os indígenas da América, segundo Las Casas,
bispo espanhol e testemunha ocular de perseguição e autos-de-fé,
sacrificaram doze milhões de seres em holocausto ao seu Deus; a guerra
religiosa que se seguiu ao suplício do Padre João Huss e Jerônimo de
Praga, contou mais de cento e cinqüenta mil vidas imoladas à Igreja
Romana; no século XIV, o grande Cisma do Ocidente cobriu a Europa de
cadáveres, dado que nada menos de cinqüenta mil vidas foram o preço
cobrado pela ira papal; as cruzadas levadas a efeito a partir de
Gregório VII (papa), roubaram à Europa cerca de trezentos mil homens,
assassinados com requintes de selvageria; nas terras do Báltico, os
frades cavaleiros, além de uma devastação e pilhagem completa, ainda
sacrificaram mais de cem mil vidas; a imperatriz Teodora, dando
cumprimento a uma penitência imposta pelo seu confessor, fez massacrar
cento e vinte mil maniqueus, no ano de 845; as disputas religiosas
entre iconoclastas e iconólatras devastaram muitas províncias,
resultando ainda no sacrifício de mais de sessenta mil cristãos
degolados e queimados. A Santa Inquisição, na sua longa e tenebrosa
jornada, levou aos mais horrorosos suplícios, inclusive às fogueiras,
algumas centenas de milhares de pobres desgraçados; segundo o Barão
d´Holbach, a Igreja Católica Romana, pelos seus papas, bispos e
padres, é a responsável pelo sacrifício de cerca de dez milhões de
vidas. Que mais é preciso dizer"?
Fonte cacp